Alanis Morissette achocolatada

Dentro de um museu havia uma sala dedicada a fotos e vídeos que a Alanis Morissette fez do passeio dela à Terra do Chocolate (era assim que chamava o lugar). 
Tinha fotos dela comendo barras de chocolate, colocando copos em fontes de chocolate, sempre sorrindo, como uma criança que tinha acabado de realizar um sonho.
No meio dessa sala tinha uma maquete da Terra do Chocolate e havia um modelo de uma cachoeira de chocolate que caía e formava um lago de chocolate.
Perto da maquete havia um bebedouro de metal, igual a todos os outros daquele museu, só que naquela sala específica, ele não servia água e sim chocolate em forma líquida. Eu comentei pra duas meninas que estavam na sala comigo:
- Sai tipo toddynho?
- Sim! - uma delas respondeu, animadíssima
Eu vi em seguida ela usando o bebedouro, e o troço espirrava achocolatado em todo lugar. Percebi então que o chão estava já todo grudento. Eu fiquei um pouco com receio de experimentar, depois de olhar pro chão, e comentei:
- Eu não sei se isso é genial ou nojento.
- É genial! - a menina empolgada respondeu. Logo em seguida, eu emendei:
- É nojental! (um típico trocadilho sem graça que eu faria na vida real… até em sonho eu me envergonho.)

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[Este texto faz parte do projeto Minhocas da Cabeça, que visa transcrever, de forma crua, alguns sonhos que tenho enquanto durmo.]

Garantindo a presença do outro

No elevador, eu e mais 3 pessoas planejávamos nossa ida a um Congresso (não sei do quê) pra ajudar um amigo, que adoeceu e não ia poder comparecer naquele dia, e se prejudicaria com a ausência no evento. Nosso intuito era marcar presença nas palestras, pra ele não perder o certificado.
A gente começou a separar as salas e as horas específicas das palestras que cada um iria, mas me lembro que estava sem papel no elevador e me perdi na organização do cronograma. Eu cheguei a perguntar “mas a gente não precisa da assinatura dele?” e um cara engravatado me respondeu: “Apenas em uma palestra, nas outras é só dedar o nome no tablet do palestrante, no final da apresentação, pra confirmar que estava presente”. Eu logo me prontifiquei, dizendo: “Então eu fico com essa que precisa assinar, porque eu consigo imitar a assinatura dele.”
Estávamos atrasados pra primeira palestra, então saímos correndo do elevador, mas me toquei que ainda não sabia a minha programação (porque eu não anotei nada), então eu puxei os 3 pra perto de mim e levei a gente pra uma mesa, no centro de um pátio com outras mesas e carteiras a céu aberto, onde várias pessoas estavam estudando.
Os 3 que estavam comigo começaram a sussurrar freneticamente pra mim, um falando por cima do outro: “Eu vou pegar a sala x”; “eu, a y”; “eu, a z”; “depois a gente vai pra…”. Aí eu interrompi: “Pera, pera, pera… eu preciso de um papel! Senão não vou lembrar nada!”
Ninguém tinha papel pra me dar, mas uma menina que estava sentada na carteira atrás de mim, vestida como uma adolescente dos anos 80, com cabelo armado e faixa na cabeça (parecia ter saído do filme do Ferris Bueller) escutou o papo e falou, mascando chiclete e com uma voz meio anasalada: “É só um papel que você quer? Pode ficar com esse.”
Ela me entregou um papel que não estava em branco, mas que servia pra eu anotar a ordem das palestras, se eu escrevesse no canto superior esquerdo da folha, com a letra bem pequenininha.

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[Este texto faz parte do projeto Minhocas da Cabeça, que visa transcrever, de forma crua, alguns sonhos que tenho enquanto durmo.]

Jacaroll

Eu estava dentro de um jogo de computador em primeira pessoa que só continha “chefões” (não me recordo quantos eram). A mecânica do jogo era simples: eu subia numa árvore e, em pontos específicos do tronco, apareciam monstros pra combater. A luta acontecia num gramado plano, e não no tronco em si.
Lembro da câmera do jogo me mostrar um troll verde e eu me surpreender: “ué, esse troll é bonito”. Então a câmera foi em direção à criatura e passou por cima de seu corpo pra mostrar uma tomada diferente: as costas dele em primeiro plano, e eu lá no fundo em segundo plano. Assim que a câmera passou pelo troll, ele se tornou lilás. E deu pra ver que ele tinha uma faca na mão.
Um amigo meu do jogo apareceu do nada e chutou a faca do troll pra longe, e eu consegui alcançá-la e comecei a fatiar o monstro, que nesse momento se tornou um jacaré. Olhei pro jacaré e ele parecia bem menor na hora que eu o cortava.
Achei que passaríamos pro próximo chefão mas o jacaré-troll se regenerou, mesmo eu tendo passado a faca no crânio dele. Me lembro que era dificílimo serrar sua cabeça. Ele esvaziou como um balão, ficou todo murcho. O problema é que depois inchou e se retorceu, e a faca foi entrando dentro dele e eu apenas lamentando porque não tinha mais arma pra lutar.

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[Este texto faz parte do projeto Minhocas da Cabeça, que visa transcrever, de forma crua, alguns sonhos que tenho enquanto durmo.]

Exercícios aeróbicos

Numa academia, eu e mais 2 pessoas andávamos numa esteira (os 3 ao mesmo tempo na mesma esteira, um atrás do outro). Inicialmente eu estava na frente, só que a esteira começava a embolar demais e não conseguíamos sincronizar os passos pra fazer um movimento uniforme. Eu disse pros outros que era melhor eu ficar por último, então a moça que estava no fim da fila foi pra frente. A gente parou a esteira pra poder fazer a mudança.
Nosso instrutor veio e ligou de novo a maquina. Ele tinha um método próprio (se não me engano até patenteado) pra treino na esteira que consistia em deixar pesado o exercício, pra nos esforçarmos demais logo no inicio e, depois de 5 minutos, colocar numa tração levinha. Achei muito bizarro na hora. Ele depois explicou que o lance era que, fazendo no mais difícil antes, quando mudava pro levinho bruscamente, aí é que fortalece os musculos de verdade.
Mesmo ficando por último na fila, me lembro de tropeçar várias vezes porque era difícil andar na esteira com mais 2 pessoas nela.

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[Este texto faz parte do projeto Minhocas da Cabeça, que visa transcrever, de forma crua, alguns sonhos que tenho enquanto durmo.]

O reparo da casa

Muita chuva. Daquelas que a gente tem que berrar pro outro que está ao nosso lado, pra nossa voz sobressair ao grito da tempestade.
Não havia nenhuma luz natural no ambiente.
Eu estava sozinho dentro de um carro que patinava na estrada de terra (que nesse ponto já era quase um pântano).
Cheguei ao meu destino: uma casa de madeira simples, de dois andares, com uma cor uniforme, de tora queimada, mais escura ainda por conta de toda a água que caía.
Saí do carro correndo, já ouvindo outras pessoas aos berros pedindo minha ajuda. Eram pessoas desconhecidas do meu consciente, mas conhecidas do meu inconsciente. Elas estavam tentando fazer a casa não desmoronar. Havia buracos no teto, e o andar de cima estava desabando. Tábuas quebradas estavam por todo canto.
Caminhando no térreo da casa, quase caí num buraco que dava pra um vazio escuro. Achei estranho porque a casa, vista de fora, estava apoiada em um terreno plano, sem declives, mas todos os buracos no chão de madeira da casa revelavam que não havia nada embaixo dela.
Tudo era muito urgente. Me lembro de sair correndo com mais 4 homens pra buscar madeiras novas em um outro local, e nosso carro escorregava tanto na estrada que tivemos que abandoná-lo e seguir à pé, exaustos, mas certos de que aquilo era essencial. Não sei se conseguimos pegar as madeiras novas.
O som das gotas de chuva estourando em meu corpo foi algo marcante. Chovia, mas não relampejava.

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[Este texto faz parte do projeto Minhocas da Cabeça, que visa transcrever, de forma crua, alguns sonhos que tenho enquanto durmo.]

Minhocas da cabeça

Resolvi começar a postar os sonhos que tenho quando estou dormindo. Claro que nem todo sonho será lembrado por completo, mas mesmo que seja algo curto, a experiência me parece interessante. Não serei rígido com a estrutura do texto; prefiro escrever à medida que eu for lembrando, sem me preocupar muito com a ordenação dos acontecimentos. Não vou prometer periodicidade nas publicações porque não é sempre que eu me recordo dos sonhos que tive.

Clique na tag #minhocas pra acompanhar os textos relativos ao tema. Hoje entra o primeiro sonho no ar. Bom, parte dele, pois não consegui me lembrar de tudo. :)

[Português]

Em 18 de setembro será lançada a coletânea de quadrinhos INKSHOT, organizada por Hector Lima, Pablo Casado, George Schall e Felipe Cunha (que recentemente produziram juntos a Sabor Brasilis). A antologia tem 268 páginas e contém mais de 40 estórias individuais, criadas por quadrinistas brasileiros consagrados no ramo, e também por autores estreantes, como eu. Ela vai sair digitalmente (em inglês) pela editora Monkeybrain Comics e a pré-venda já está disponível na ComiXology. O site http://inkshot-comic.tumblr.com/ está publicando uma página de cada HQ por dia, para aqueles que estiverem curiosos.

A HQ que roteirizei chama-se “Between Punches”, e foi concebida em 2010 para o projeto da INKSHOT. A ideia surgiu para mim numa época em que eu queria explorar algo onírico, surreal e, por sorte minha, o embrião da estória que eu tinha na cabeça despertou o interesse da excelente artista Kaori Nagata, e assim fechamos uma parceria para produzir as 5 páginas do quadrinho. A pequena estória tornou-se muito mais interessante quando a Kaori derramou seu talento e criatividade em cima do roteiro; sou extremamente grato por ter conseguido trabalhar com ela nesse projeto.

Em “Between Punches”, o protagonista embarca numa viagem interna relâmpago, imediatamente após tomar um soco na cara, e testemunha uma disputa pelo controle de sua reação à porrada que acabou de levar. De um lado dessa briga está a raiva desenfreada, representada pela boca que acabou de ser nocauteada e que clama por um revide agressivo; sua intenção é impulsionar o personagem sempre ao topo, como se estivesse fazendo seu sangue subir à cabeça. Do outro lado está a tranquilidade, uma força impessoal que busca acalmar a fúria interna; sua intenção é manter o personagem concentrado, em equilíbrio, e para isso joga-o para locais mais profundos, quietos, para que ele tenha tempo para relaxar. O protagonista interage com alguns elementos nos ambientes, como um banco com pregos e um mar de cabos elétricos. O desfecho dessa jornada surreal se dá quando uma das forças vence esse cabo-de-guerra, e o personagem retorna ao corpo físico com uma decisão concreta na cabeça.

É realmente uma honra, para um iniciante como eu, estar numa coletânea dessas, junto com mestres na arte de roteirizar e ilustrar HQs. Assim como muitos de vocês, ainda não conheço todas as estórias contidas na antologia, então estou ansiosíssimo para ler cada uma delas. :)


[English]

INKSHOT, a collection of brazilian comics organized by Hector Lima, Pablo Casado, George Schall and Felipe Cunha (who recently produced together Sabor Brasilis) is going to be released on September the 18th. The anthology has 268 pages and contains more than 40 individual stories, created by renowned brazilian comic artists, and also by beginners like me. It will be published digitally by Monkeybrain Comics and pre-sale is now available at ComiXology. The website http://inkshot-comic.tumblr.com/ is posting one page of each comic per day, for those who are curious.

The short story I scripted is called “Between Punches” and was conceived in 2010 especially for the INKSHOT project. The idea came to me at a time when I wanted to explore something dreamlike, surreal and - lucky me - the embryo of the story I had in mind sparked the interest of the excellent artist Kaori Nagata, so we partnered up to produce the 5 pages of the comic. The short story became much more interesting when Kaori poured her talent and creativity onto the script; I’m extremely grateful to have been able to work with her on this project.

In “Between Punches”, the protagonist embarks on an inner journey, immediately after taking a punch in the face, and witnesses a struggle for control of his reaction to the beating he just took. On one side of this fight is the unbridled anger, represented by the mouth that has just been knocked out, and that cries out for aggressive retribution; its intention is to push the character always to the top as if to make his blood rush to the head. On the other side is tranquility, an impersonal force that seeks to calm the inner fury; its intention is to maintain the character focused, balanced, and it throws the character in deeper, quieter places, so he has time to relax. The protagonist interacts with elements in the environment, such as a bench with nails and a sea of ​​electric cables. The outcome of this surreal journey is when one of the forces wins this tug-of-war, and the character returns to the physical body with a concrete decision in mind.

It’s really an honor for a rookie like me, to enter a compilation of stories alongside master comic writers and illustrators. Like many of you ou there, I haven’t yet read all the stories in the anthology, so I’m very much excited to discover them. :)

Em dezembro de 2011, eu trabalhava como redator de música no portal “Blogs POP” e resolvi fazer uma brincadeira com o tema natalino, escrevendo um conto sobre São Nicolau de uma maneira diferente e bem-humorada. Misturei relatos históricos da vida de Nikolaos com os milagres que lhe foram atribuídos, adicionando uma pitada de ciência fantástica à estória e - não esquecendo do elemento musical - muito heavy metal. Acesse os links abaixo para ler o conto.
São Nicolau e o rádio do turco – Parte ISão Nicolau e o rádio do turco – Parte IISão Nicolau e o rádio do turco – Parte IIISão Nicolau e o rádio do turco – Parte IV

Em dezembro de 2011, eu trabalhava como redator de música no portal “Blogs POP” e resolvi fazer uma brincadeira com o tema natalino, escrevendo um conto sobre São Nicolau de uma maneira diferente e bem-humorada. Misturei relatos históricos da vida de Nikolaos com os milagres que lhe foram atribuídos, adicionando uma pitada de ciência fantástica à estória e - não esquecendo do elemento musical - muito heavy metal. Acesse os links abaixo para ler o conto.

São Nicolau e o rádio do turco – Parte I
São Nicolau e o rádio do turco – Parte II
São Nicolau e o rádio do turco – Parte III
São Nicolau e o rádio do turco – Parte IV

Shockwaves

[ Português ]

Tema composto para um trecho do longa-metragem “Shockwaves”, que será lançado em 2013, com direção de Kasumi. Visite http://www.shockwavesthemovie.com/ e veja um trailer do filme, no final do post.


[ English ]

Theme composed for a section of the feature film “Shockwaves”, directed by Kasumi, to be released in 2013. Visit http://www.shockwavesthemovie.com/ and watch the trailer below.

[ Português ]

Livro/HQ: “V.I.S.H.N.U.”
Música - Paulo Gallian

Música para o booktrailer de V.I.S.H.N.U., quadrinho de ficção científica com argumento de Eric Acher, roteiro de Ronaldo Bressane e ilustrações de Fabio Cobiaco.

Você também pode escutar e baixar a música do trailer no SoundCloud: http://soundcloud.com/paulogallian/vishnu-tema-para-booktrailer


[ English ]

Book/Graphic Novel: “V.I.S.H.N.U.”
Music - Paulo Gallian

Music for the booktrailer of V.I.S.H.N.U., a sci-fi graphic novel written by Ronaldo Bressane (with argument by Eric Acher) and illustrated by Fabio Cobiaco.

You can also download or listen to the booktrailer music at SoundCloud: http://soundcloud.com/paulogallian/vishnu-tema-para-booktrailer